Efeitos e Limites de um programa de habilidades sociais educativas para pais de crianças com TDAH

RESUMO

Este artigo apresenta um programa de treinamento em Habilidades Sociais Educativas (HSE) desenvolvido com pais de crianças com diagnóstico de TDAH e estudantes de escolas públicas, bem como seus efeitos. O programa foi conduzido entre os anos de 2010 e 2013, totalizando a participação de 13 pais. O objetivo foi oferecer um espaço para debate e troca de experiências, visando capacitá-los para lidar com demandas interpessoais cotidianas e estabelecerem estratégias que favoreçam o desenvolvimento social e acadêmico de seus filhos. Os dados demonstraram mudanças positivas nas HSE dos pais após a intervenção. Da mesma forma, a maioria das crianças foram avaliadas positivamente pelos pais e professores, alcançando os objetivos traçados. Uma dificuldade encontrada foi a baixa adesão dos pais, inclusive quanto à permanência no programa, indicando necessidade de aprimoramento do programa visando garantir maior adesão, resultando em uma reavaliação quanto ao seu formato e possível adaptação para professores.

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Clínica Analítico-Comportamental no Brasil: Histórico, Treinamento e Supervisão

RESUMO

O Brasil é um dos países que mais se destaca na formação clínica de analistas do comportamento. No presente estudo é apresentado um breve histórico da terapia analítico-comportamental, com seu surgimento e evolução da área no Brasil, incluindo as terapias de modificação do comportamento, com base filosófica no Behaviorismo Metodológico, até as Terapias de Terceira Onda, fundamentadas no Behaviorismo Radical. Ressalta-se a importância de habilidades do terapeuta ao atendimento clínico, com a discussão de questões relacionadas ao desenvolvimento de vínculo genuíno e positivo com o cliente, observação, identificação, descrição de como operacionalizar e analisar funcionalmente os comportamentos problema. São apresentadas considerações sobre a relação supervisor-supervisionando e sobre o papel do supervisor na aquisição de repertórios básicos na formação do clínico iniciante. Por fim, são descritos recursos que podem ser utilizados pelo supervisor para facilitar o desenvolvimento de habilidades em seus supervisionandos, como o ponto de escuta eletrônico, a observação direta a partir de salas com espelho unidirecional e as gravações de áudio e vídeo. Espera-se que esse artigo seja útil para práticos da clínica analítico-comportamental e sirva também como recurso didático para professores das disciplinas de Análise do Comportamento na graduação de universidades brasileiras.

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Psicocardiologia: análise de aspectos relacionados à prevenção e ao tratamento de doenças cardiovasculares

RESUMO

 

Doenças Cardiovasculares (DCV) são atualmente a causa mais frequente de mortalidade no mundo, produzindo um sério impacto funcional e emocional na vida de pacientes e familiares. Configuram-se, assim, como um problema complexo e um desafio para a saúde pública. Diante da importância desta questão, diversas áreas do conhecimento se mobilizam para buscar alternativas de prevenção e desenvolver estratégias de tratamento mais eficazes. O objetivo do artigo é apresentar dados epidemiológicos sobre DCV, indicar fatores de risco e de proteção, descrever a Psicocardiologia, área recente e interdisciplinar entre a Psicologia e a Medicina e, por fim, apontar possibilidades de atuação de terapeutas comportamentais nesse contexto clínicos comportamentais podem contribuir na identificação de classes de comportamentos associados às DCV, manipular as variáveis antecendentes à sua emissão e as consequencias que selecionam e mantêm essa condição. Neste contexto, o paciente deve aprender a discriminar os determinantes de seus comportamentos para alterá-los.

 

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Análise da evolução dos critérios diagnósticos da anorexia nervosa

Desde a inclusão da anorexia nervosa (AN) na terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), os critérios diagnósticos do transtorno têm sido atualizados. O objetivo deste trabalho foi apresentar a evolução destes critérios e discutir sobre suas principais alterações. Trata-se de um estudo teórico. Foram consultadas as versões III, IV, IV-TR e V do DSM e realizada pesquisa nas bases de dados PubMed, Scielo e Scopus, com as seguintes palavras-chave em combinação: “anorexia”, “DSM” e “diagnostic criteria”. Verificaram-se alterações nos critérios relacionados à necessidade de amenorreia, de índice de massa corporal mínimo e foram acrescentadas informações sobre o nível de gravidade e de remissão do transtorno, além de mais detalhes sobre subtipos de AN. Revisões periódicas do DSM, a partir de contribuições de clínicos e de pesquisadores garantem avaliações mais precisas e o delineamento de intervenções mais efetivas no tratamento e na prevenção de transtornos alimentares.

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Avaliação inicial e funcional de um caso clínico de Transtorno Alimentar sob a perspectiva da Análise do Comportamento

O presente artigo apresenta um modelo de análise funcional molar e molecular no atendimento de uma moça com 22 anos diagnosticada com Bulimia Nervosa e as estratégias utilizadas para se levantar informações relevantes. No início do atendimento, a cliente assinou um documento demonstrando estar ciente que os dados dos atendimentos poderiam ser utilizados para fins acadêmicos e didáticos. Alguns dados foram omitidos com intuito de preservar a identidade da mesma. O caso apresentado corresponde ao recorte das primeiras oito sessões de psicoterapia, cujo foco se direcionou na avaliação e levantamento de hipóteses funcionais. Foram elaborados diagramas ilustrativos das relações funcionais que pudessem contribuir para a compreensão e condução do caso. Tal condição possibilitou a compreensão do padrão comportamental da cliente como um todo e não apenas ao quadro psiquiátrico específico. Espera-se que este artigo auxilie terapeutas iniciantes no processo de avaliação inicial e de análise funcional de casos relacionados aos Transtornos Alimentares.(AU)

 

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Adoção: derrubando mitos e buscando as causas do comportamento

No Brasil, o número de crianças e adolescentes que aguardam por adoção é altíssimo. De acordo com dados do Cadastro Nacional de Adoção, existem hoje 5706 crianças/adolescentes em condições de serem adotadas, sendo que 61% destes são adolescentes. Há diversas variáveis presentes no processo de adoção como, por exemplo, o perfil multivalorativo da criança pretendida a adoção, ou seja, ampla procura por crianças mais novas em detrimento das mais velhas, questões relacionadas a gênero, etnia, dentre outras. Esta é uma ação que ultrapassa questões jurídicas, pois, envolve aspectos comportamentais, sentimentais e expectativas.
Determinadas alternativas podem ser consideradas por pessoas que sonham ter um filho, mas não podem ou não querem realiza-lo pelas vias ditas “convencionais”. Todavia, sentimentos como o medo podem estar presentes. Medo do incerto, do desconhecido, medos mantidos por regras que ditam relações que na verdade são mitos. Mito de que o indivíduo adotado pode ter herdado de pais biológicos um “gene ruim” ou a “má índole” como delinquência, dependência química e assim por diante. De modo geral, as pessoas tem necessidade de identificar as causas do comportamento humano e parece que as propriedades genéticas são variáveis atribuídas com certa frequência. Frases do tipo “puxou ao gene do fulano” podem significar que o indivíduo se comporta de maneira muito semelhante a este familiar. Além disso, é comum que se atribua o fato de que alguns comportamentos ocorrem provavelmente pela criança ser um filho adotivo. Um pai quando chamado à escola para conversar sobre a agressividade do filho, por exemplo, quando verbaliza que a criança foi adotada, tudo parece se explicar. Geralmente se estabelece uma relação causal, a criança é agressiva porque foi adotada, então crianças adotadas tendem a ser agressivas e tal condição passa a valer como regra.
Apesar da afirmativa de que características biológicas podem influenciar o comportamento humano, isto possui algumas limitações. Não há como negar que o aparato biológico pode influenciar determinados comportamentos, como por exemplo, o efeito do sorriso de um recém-nascido sobre a aproximação de um adulto, o comportamento de sugar para a alimentação e a predisposição a fugir diante do perigo que tem como consequência a proteção. De modo geral, tais comportamentos tornam as pessoas mais semelhantes como espécie do que diferentes (Baum, 1999; Skinner, 1953/1998). Por outro lado, comportamentos considerados mais complexos sofrem influência da interação do indivíduo com outras pessoas. Assim, é possível afirmar que comportamentos com contribuição mais marcante de fatores biológicos favorecem mais as semelhanças da espécie do que as diferenças. Neste sentido, não se pode sustentar a hipótese de que a adoção pode ser um caminho difícil e duvidoso em função da influência de aspectos biológicos.
As causas do comportamento humano também devem ser atribuídas aos eventos ambientais (modos de interação, contexto social, práticas educativas, assim por diante). Se a agressividade da criança é atribuída ao fato de ser adotiva, deve-se atentar também para os eventos ambientais, que possivelmente podem explicar melhor o motivo de tal comportamento e apontar na direção de como se deve agir para modificá-lo. Algumas pesquisas têm demonstrado, por exemplo, que um ambiente cheio de punição pode favorecer o desenvolvimento de comportamentos inadequados, agressividade e até mesmo delinquência (Pacheco, & Hutz, 2009; Sidman, 1995). Em contrapartida, crianças que são criadas em lares com carinho, afeto e práticas parentais que favorecem a monitoria dos filhos, com pouco uso de condições punitivas, podem apresentar desenvolvimento saudável e conduta social adequada (Kazdin, 2010).
Pensando na importância dos eventos ambientais e no papel deles sobre o desenvolvimento de padrões comportamentais, sejam eles “bons” ou “ruins”, talvez o medo destes pais ainda persista. Não o medo relacionado a influência de causas biológicas especificamente, mas por desconhecer sob quais condições a criança ou o adolescente cresceu. Isso pode favorecer a ideia de que o mais adequado seria adotar crianças mais novas, uma vez que as mais velhas podem ter passado por uma história de aprendizagem desfavorável. Neste caso, deve-se refletir sobre o comportamento humano e algumas leis que o cercam. Estas leis dizem que quando o ambiente muda, possivelmente o comportamento também mudará (Skinner, 1953/1998). O comportamento não é estático e certamente se este indivíduo passar a interagir com pessoas afetuosas, que criem condições diferentes daquelas que ele conhecia, possivelmente aprenderá novas formas de se comportar. Em um ambiente em que comportamentos considerados adequados são valorizados, há uma probabilidade maior do indivíduo se engajar nestes comportamentos, em detrimento daqueles considerados inadequados pela sociedade.
Graças à expansão de informações e os esforços de agentes sociais, o número de famílias que buscam adoção têm aumentado. O objetivo deste texto foi levantar alguns aspectos relacionados à atribuição de causas comportamentais e a relação com o processo de adoção. Pais que pensam na possibilidade de adoção devem reunir o máximo de informações possíveis, entrar em contato com ONGs que apoiam famílias adotivas, conversar com pessoas que tem membros na família que foram adotados, buscar apoio com profissionais habilitados, etc. Tais atividades podem auxiliar no processo de tomada de decisão e não se pautará em escolhas baseadas em mitos.
Deivid Regis dos Santos
Maria Rita Zoéga Soares
Referências :
Baum, W. M. (1999). Compreender o behaviorismo. Porto Alegre: Artmed.
Kazdin, A. E. (2010). O método Kazdin: Como educar crianças difíceis em remédios, terapia ou conflitos. São Paulo: Novo Século.
Sidman, M., Andery, M. A., & Sério, T. M. (1995). Coerção e suas implicações. São Paulo: Editorial Psy.
Skinner, B. F. (1953/1998). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes.
Pacheco, J. T. B., & Hutz, C. S. (2009). Variáveis familiares preditoras do comportamento anti-social em adolescentes autores de atos infracionais. Psicologia: Teoria e pesquisa, 25(2), 213-219.

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